Petrópolis, 29 de Setembro de 2020.
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  Cidade ainda tem locais sem luz, água e coleta de lixo

Data: 29/11/2011

Moradores do Neylor lavam roupas no rio que atravessa a comunidade. / Anderson França

Levar água tratada, fornecer rede de esgoto e energia elétrica para 100% da população petropolitana é um desafio para os próximos anos. Na última semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados levantados durante o Censo 2010, sobre o esgotamento sanitário, o abastecimento de água, a existência de energia elétrica e o destino do lixo. De acordo com a pesquisa, mais de 26 mil domicílios não são atendidos por rede de esgoto, quase 57 mil moradias contam com água encanada e em mais de 800 residências o lixo é descartado de forma incorreta.
A maior parte desses números negativos estão nas comunidades mais pobres do município, identificadas como aglomerados subnormais – que correspondem a favelas, invasões, palafitas e similares. Ao todo, o município conta com 15 dessas comunidades – sendo apenas duas fora do primeiro distrito: uma em Pedro do Rio no local conhecido como Leito BNH e outra em Corrêas, no Morro da Glória.
Todos as outras favelas estão localizadas no primeiro distrito, onde 20 mil domicílios não contam com abastecimento de água encanada; mais de 10 mil casas não têm serviço de rede esgoto, 411 moradias vivem às escuras e em 365 residências há o descarte ilegal do lixo. O Morro do Neylor, no Retiro, identificado pelo IBGE como um aglomerado subnormal, faz parte desta triste realidade. Na comunidade, principalmente na parte mais alta, os moradores não têm acesso a nenhum desses serviços básicos. Há falta de água, de luz e o esgoto, em alguns casos, corre a céu aberto.
Sem água, na casa de um cômodo onde vivem 10 pessoas, Jane Maria Dias, de 39 anos, usa uma cachoeira para lavar a roupa da família. Moradora do Morro do Neylor desde que nasceu, ela conta que a mãe já utilizava a água da cachoeira para os serviços domésticos. “Aqui sempre foi assim. Não temos acesso a nada, a única coisa que nos resta é esta água do rio”, disse. Na casa de Jane, também não há banheiro e a rede de energia elétrica foi emprestada da casa da irmã. “A vida aqui é muito difícil”, lamentou a moradora.
Dos cinco distritos petropolitanos, o de Pedro de Rio e o da Posse são os contam com o menor atendimento de rede de esgoto. Dos 4.398 domicílios identificados em Pedro do Rio, apenas 848 contam com o serviço. Na Posse, dos 3.212 residência, só 917 têm rede de esgoto.
Nos distritos de Itaipava, Pedro do Rio e Posse, dos 14 mil domicílios pesquisados, apenas 39% contam com água tratada, o restante das residências é abastecido por outras fontes, como poços, nascentes e minas. Os números negativos do IBGE não são os mesmos apresentados pela concessionária Águas do Imperador. De acordo com a empresa, 85% dos domicílios são abastecidos com água tratada e 64% do esgoto urbano recebem tratamento. A meta da concessionária para 2012 é tratar 80% de todo o esgoto e até 2015, chegar a 85%.

Fonte: Tribuna de Petrópolis.




 

 

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