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  IBGE: Vendas no varejo crescem 3,4% e atingem patamar recorde em Agosto

Data: 08/10/2020

 

Pesquisa Mensal de Comércio

Vendas no varejo crescem 3,4% e atingem patamar recorde em agosto

Editoria: Estatísticas Econômicas  Carmen Nery

 

08/10/2020 09h00 Última Atualização: 08/10/2020 11h23

 

 

O comércio varejista de tecidos, vestuário e calçados liderou as altas em agosto, com 30,5% - Foto: Cláudio Vieira/PMSJC

 

O comércio varejista cresceu 3,4%, em agosto, na comparação com julho, a quarta alta mensal seguida, após quedas influenciadas pela pandemia em março e abril. Com o resultado, o setor atinge o maior patamar de vendas desde 2000, ficando 2,6% acima do recorde anterior, de outubro de 2014. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje (8) pelo IBGE.

Na comparação com agosto de 2019, o comércio cresceu 6,1%, terceiro resultado positivo consecutivo. No acumulado do ano, o setor registrou menor ritmo de queda (-0,9%), enquanto nos últimos 12 meses, acumula crescimento de 0,5%, após três meses de estabilidade.

“O varejo em abril teve o pior momento, com o indicador se situando 18,7% abaixo do nível de fevereiro, período pré-pandemia. Esses números foram sendo rebatidos nos meses seguintes, até que em agosto o setor ficou 8,2% acima de fevereiro”, explica o gerente da PMC, Cristiano Santos.

Volume de vendas no comércio varejista (%)

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Fonte: IBGE - Pesquisa Mensal de Comércio

Cinco das 8 atividades pesquisadas tiveram alta na passagem de julho para agosto. Entre as que apresentaram maior crescimento estão tecidos, vestuário e calçados (30,5%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (10,4%), móveis e eletrodomésticos (4,6%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (1,5%) e combustíveis e lubrificantes (1,3%).

O gerente da pesquisa diz ainda que fatores como o aumento da renda devido ao auxílio emergencial e a alta dos preços também têm influenciado o desempenho do varejo, especialmente o setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que recuou 2,2% de julho para agosto, impactado pela inflação dos alimentos.

“Os produtos de supermercados têm uma elasticidade alta, um arroz mais caro é substituído por outro mais barato, mas o consumidor continua comprando. Os supermercados continuam próximos da margem, mesmo em queda, não sentem tanta diferença quanto em outras atividades”, explica Santos, complementando que o crescimento nas vendas de móveis e eletrodomésticos pode ser consequência da renda extra do auxílio emergencial, utilizada pelas famílias para reposição de produtos antigos.

Os demais setores em queda foram artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-1,2%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-24,7%).

Varejo ampliando tem alta de 4,6% em agosto

O volume de vendas do comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, teve alta de 4,6% em relação a julho, reduzindo o ritmo de crescimento com relação ao mês anterior (7,1%). Veículos, motos, partes e peças cresceu 8,8% e material de construção registrou aumento de 3,6%, ambos, respectivamente, após 12,3% e 5,9% registrados no mês anterior.

Frente a agosto de 2019, houve aumento de 3,9%, segunda taxa positiva consecutiva. No acumulado do ano, o varejo ampliado soma recuo de 5%. O acumulado em 12 meses, ao passar de -1,9% até julho para -1,7% até agosto, também apontou leve melhora no ritmo de venda.

Resultados bimestrais têm altas recordes para o varejo e o varejo ampliado

O comércio varejista cresceu 11,3% no quarto bimestre de 2020 em relação ao bimestre anterior, a segunda alta consecutiva, e a mais elevada de toda a série histórica para essa comparação. A alta 11,3% no acumulado de julho e agosto, superou os 6,9% registrado nos dois meses anteriores, ultrapassando, inclusive, em termos de magnitude, o resultado de -10,3% de março e abril, auge do isolamento social.

Todas as atividades, à exceção de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,0%), registraram alta para esta comparação: combustíveis e lubrificantes (9,7%), tecidos, vestuário e calçados (78,6%), móveis e eletrodomésticos (21,7%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (10,5%), livros, jornais, revistas e papelaria (37,7%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (22,2%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (25,3%).

O comércio varejista ampliado também registrou o segundo bimestre de alta, de 15,6%, recorde da série histórica, embora não tenha sido maior, em termos de magnitude, que os -21,5% registrado no segundo bimestre de 2020. Em termos setoriais, tanto veículos e motos, partes e peças (31,9%) quanto material de construção (13,8%) tiveram crescimento por dois bimestres consecutivos.

Vendas do varejo crescem nas 25 das 27 unidades da federação

O volume de vendas do varejo foi positivo em 25 das 27 unidades da federação, com destaque para Acre (15,6%), Rondônia (12,8%) e Amapá (12,1%). Pressionando negativamente estão Tocantins (-2,4%) e Rio Grande do Sul (-0,2%). No comércio varejista ampliado, também houve predomínio de resultados positivos registrado em 26 das 27 unidades da federação, com destaque para Piauí (20,2%), Acre (12,6%) e Sergipe (9,6%). O destaque negativo ficou para Roraima (-1,4%).

Principais atividades

Móveis e eletrodomésticos teve alta de 36,3% no volume de vendas frente a agosto de 2019 e exerceu o maior impacto positivo na taxa do comércio varejista de agosto: 3,3 p.p. do total de 6,1%. O acumulado no ano registrou 6,9% até agosto, após 2,7% até julho, mostrando elevação no ritmo de vendas. O acumulado nos últimos doze meses passou de 5,1% até julho para 8,1% em agosto, com trajetória de aceleração desde junho de 2020. 

Outros artigos de uso pessoal e doméstico, que engloba lojas de departamentos, óticas, joalherias, artigos esportivos, brinquedos etc., com 18,9% no volume de vendas em relação a agosto de 2019, exerceu a segunda maior contribuição positiva das vendas no varejo, mostrando ganho de ritmo em relação ao resultado de julho (8,9%). Ainda que no campo negativo, o resultado do acumulado no ano até agosto (-4,2%) mostrou perda de ritmo de queda, quando comparado ao mês anterior (-7,7%). O acumulado nos últimos doze meses (0,4%) cresceu 1,2 p.p. em relação ao de julho (-0,8%), a primeira alta após três meses. 

Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com recuo de 3,0% frente a agosto de 2019, registrou a sétima taxa positiva consecutiva nessa comparação, com perda de ritmo, no entanto, em relação ao resultado de julho (9,8%). O segmento exerceu o terceiro impacto positivo na formação da taxa global do varejo. No ano, o setor vinha ganhando ritmo por seis meses consecutivos, saindo de 0,5% em fevereiro, atingindo 6,0% em julho. Todavia, com a entrada de agosto o setor acumula em 2020 uma variação 5,6% em relação ao mesmo período do ano passado. A análise pelo indicador acumulado nos últimos doze meses, ao registrar 3,8% em agosto, mostrou estabilidade em relação a julho (3,8%). 

Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria apresentou 8,8% nas vendas frente a agosto de 2019, registrando a terceira variação positiva consecutiva, na comparação com igual mês do ano anterior. Em relação ao acumulado no ano até agosto, ao passar de 5,0% até julho para 5,5% no mês de referência, mostra ganho de ritmo, terceiro mês consecutivo de aumento na intensidade do crescimento. No acumulado dos últimos doze meses, o setor registrou 6,2% de variação positiva em agosto, 0,3 p.p. acima de julho. 

Combustíveis e lubrificantes, com -9,1% no volume de vendas em relação a agosto de 2019, exerceu a maior contribuição negativa para o resultado total do varejo. O setor é um dos que mais têm registrado efeitos do isolamento social e redução na circulação de pessoas e veículos desde o início da pandemia, em meados de março. Com isso, o acumulado no ano, ao passar de -12,1% até julho para -11,7% até agosto, se mantém no campo negativo há oito meses consecutivos. Em relação ao indicador anualizado, acumulado nos últimos doze meses, o setor mostra maior perda de ritmo das vendas (-7,5%) em relação ao mês anterior (-7,0%). 

Tecidos, vestuário e calçados caiu 6,5% em relação a agosto de 2019, sua sexta taxa negativa seguida nessa comparação, porém a de menor magnitude. Embora a atividade tenha registrado o segundo maior impacto negativo na taxa global do varejo (Tabela 1), o acumulado no ano reduziu o ritmo de queda, passando de -37,7% até julho para -33,4% em agosto. O acumulado nos últimos doze meses, ao passar de -19,7% em julho para -20,0% em agosto, intensificou a trajetória descendente iniciada em fevereiro de 2020 (-0,2%).  

Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação caiu 11,8% em relação a agosto de 2019. No acumulado do ano, ao passar de -20,6% até julho para -19,5% até agosto, mostra aumento no ritmo de vendas. O indicador acumulado nos últimos doze meses (-11,6%) intensifica ritmo de queda nas vendas em relação a julho (-10,9%).  

Livros, jornais, revistas e papelaria caiu pela sétima vez seguida: -43,2% frente a agosto de 2019. O mesmo aconteceu com o acumulado no ano: -29,9% até agosto, permanecendo no campo negativo desde fevereiro de 2020 (-1,3%). Nos últimos doze meses o setor acumulou queda de 22,9%, a mais intensa desde novembro de 2019. 

Material de Construção teve sua terceira alta consecutiva: 24,1% frente a agosto de 2019, depois de julho (22,8%). O acumulado no ano até agosto mostra aumento de ritmo nas vendas (4,9%), frente ao de julho (1,9%). O acumulado nos últimos doze meses passou de 2,8% em julho para 5,1% em agosto, mantendo a trajetória ascendente iniciada em junho de 2020.

Veículos, motos, partes e peças, ao registrar -9,8% em relação a agosto de 2019, assinalou a sexta taxa seguida negativa, porém a de menor magnitude entre elas. Ainda assim, o setor exerceu a maior contribuição negativa ao resultado do mês para o varejo ampliado (-2,4 p.p.). O indicador acumulado no ano até agosto (-20,1%) apresentou resultado menos intenso, no campo negativo, comparado ao mês de julho (-21,7%). O acumulado nos últimos doze meses (-10,7%) mostrou perda de ritmo em relação ao acumulado até julho (-9,6%). 




 

 

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