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  Catástrofes - uma história que marca o Brasil

Data: 20/01/2011

Catástrofes - uma história que marca o Brasil

 

 

O Brasil é o paraíso dos fazedores de teorias e de administradores improvisados ou alienados. Principalmente nessas três últimas décadas vimos governos cheios de razões, incapazes, contudo, de exercer boas administrações. Nepotismo, corrupção, incompetência, empreguismo oportunista e desprezo pelas responsabilidades de Estado estão matando brasileiros e criando imagens espantosamente ruins. Nossos chefes se confundem tanto que acabam centrando o foco no pouco que dá certo e nas propostas mais eleitoreiras. Viva a Copa do Mundo, o Carnaval e as praias...
Entre as muitas teorias que vivenciamos foi a de extinguir repartições públicas e autarquias. Para fazer média com banqueiros e conservadores do tempo do Império, governos em todos os níveis optaram por extinguir órgãos talvez não essenciais, alguns deles, contudo, fazem falta. Existia a opção de corrigi-los, preferiram desmontar o Estado. Foi a onda neoliberal. Economia? Eram funcionários com estabilidade e assim isso teve algum custo. O que faziam, por pouco que fosse, tinha relevância. Pelo menos sabíamos onde procurar soluções.
O assunto do momento é catástrofes, pode-se escrever enciclopédias e inúmeras teses sobre isso no caso do Brasil. Quem é catarinense é autodidata no assunto.
Na terra dos “barrigas verdes” o antigo DNOS (Mirante da Defesa Civil) realizou muito, inclusive respondeu pelo Governo Federal na construção das três barragens de contenção de cheias, que deveriam ser 5 pelos estudos da época. Poderiam ser mais se agora os empreendedores pudessem fazer hidrelétricas com reservatórios maiores, dentro de uma lógica mais do que importante de uso múltiplo das águas. Infelizmente no açodamento ideológico do Governo Collor essa autarquia foi extinta sem maiores cuidados e novas teses ganharam força e poucos resultados.
Quando, sendo consultor do ex-prefeito de Blumenau e atual Deputado Federal Décio Nery de Lima, visitamos em 1997 a maior delas em Ibirama (AS BARRAGENS DE CONTENÇÃO DE CHEIAS DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO ITAJAÍ-AÇU; ACIRS, AMAVI, FEDAVI), descobrimos que estavam sem comando contínuo desde a extinção do DNOS (1990). Os operadores continuavam trabalhando simplesmente porque sabiam que não podiam abandonar o posto. Foi preciso a atuação formal do prefeito de Blumenau para que prefeituras, governo do estado e União encontrassem uma solução de maior responsabilidade. Uma barragem abandonada é um potencial de desastre colossal, não sabiam disso?
Novas teses ambientalistas paralisaram projetos importantes (Projeto JICA (Comitê do Itajaí - Agência de Água), por exemplo) e Santa Catarina assim como o Brasil inteiro perderam oportunidades e a autarquia (DNOS) cujos especialistas dedicavam-se a evitar secas e enchentes, quando os recursos o permitiam.
Nessas últimas catástrofes (no Pernambuco (Gonçalves) e em Alagoas (Inundação: Mega-Desastre em Alagoas) no ano passado e agora na região Sudeste) vimos cenas dantescas e prejuízos imensos, que poderiam, pelo menos, terem sido minimizados se ao longo desses anos pós DNOS algum órgão federal estivesse atento ao que é feito nesse Brasil varonil. A Agência Nacional de Águas (ANA) não decola e o resto ajuda pouco. As famosas “Defesas Civis” são entendidas de forma confusa pelos governantes de plantão, com raras exceções (dependendo dos líderes nomeados, de que jeito?...). E os prefeitos? Coitados, sem estrutura ou formação adequada mal sabem o que fazer.
Uma reportagem mostrou algo que simplesmente surpreendeu. O prefeito de Areal, alertado por um colega de uma cidade rio acima, pediu a um jovem para sair com seu carro equipado com alto falante pedindo à população que procurasse lugares seguros (globo.com). Graças a esta atitude rápida e corajosa nenhum morador daquela comunidade morreu! Ou seja, naquela região, que deveria ter um sistema de alerta de cheias e uma defesa civil atuante, uma atitude improvisada de undécima hora salvou todas as vidas possíveis. Quem vive junto a rios de grande declive (rios de serra) sabe como qualquer riacho pode se transformar num rio caudaloso assim como não devemos desprezar riscos de morros e montanhas com cobertura sedimentar, causando desbarrancamentos quando menos se espera.
A verdade é que teses importadas criaram confusão. O desprezo pela Engenharia e pelo ser humano tornou-se norma entre eleitores e eleitos no Brasil.
Pior ainda é a ação maldosa de alguns poderosos. Não precisamos ir longe.
Ocupações em terrenos de fundo de vale transformam-se em bons negócios, aparentemente solucionando a situação dos moradores, deixando-os, contudo, em lugares sujeitos a cheias relativamente frequentes (Projeto Zumbi - Mauá) e contas pesadas para pagar.
Áreas que serviam de piscinões naturais são aterradas (Cascaes, E as enchentes?) para se construir conjuntos populares, pode?
Rodovias são diques sem regulação, quem analisa realmente esses projetos?
O que surpreende, vendo até calçadas afundando porque o sistema de drenagem de águas pluviais está se degradando (opinião de engenheiro eletricista), é a omissão de entidades de classe e profissionais que parecem apreciar mais a discussão ideológica do que realmente atuar em defesa do povo.
As regiões sul e sudeste têm profissionais, especialistas, gente preparada para dizer algo. Por quê silenciam?
Uma entrevista curta e grossa com a Dra. Debarati Guha- Sapir (Paulo), consultora da ONU e diretora do “Centre for Research on the Epidemiology of Disasters” (CRED), diz tudo quando lembra que o “Brasil não é Bangladesh. Não tem desculpa”, abrindo essa ferida de um povo que se esqueceu de que ele próprio é a essência da nação.
Agora vamos às campanhas de doações e à missão de encontrar, identificar e enterrar as vítimas de mais uma catástrofe...
Será que nos portais das prefeituras, dos governos estaduais e da União teremos notícias que nos encorajem?
Quem nasceu e viveu alguns anos em Santa Catarina, principalmente nos vales dos rios Tubarão e Itajaí Açu, sabe quanto precisamos fazer para termos alguma segurança. O pior de tudo é que muito pode ser feito sem custos absurdos (como alguns projetos em pauta), é só a sociedade abraçar essa causa e o Governo colocar a proteção dos brasileiros como prioridade.

 

Fonte: http://pp1-mirantedoaprendiz.blogspot.com/2011/01/catastrofes-uma-historia-que-marca-o.html




 

 

Área do Município: 795.798 km²
População estimada (2013): 297.888 habitantes (95% alfabetizada)
Densidade Demográfica (2013): 371,85 habitantes/km²
PIB (2011): R$ 9.212.328.000,00 (R$ 30.925,47 per capta)
Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (2010): 0,745 (13º dentre 92 no RJ)
Fonte: IBGE
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