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  NÃO SÓ O PT

Data: 21/06/2014

 

 

NÃO SÓ O PT

 
Diário de Petrópolis, Sábado, 21 de junho de 2014
 

Gastão Reis

 

Um grave perigo nos ronda e já causou estragos terríveis na vida político-partidária brasileira, avaliada hoje pela população como antro de corrupção sem compromisso com a defesa do interesse público. Quando um  país chega a esse ponto, é mais que hora de saber o porquê.

 

O PT, em suas origens, nasceu como uma reação à triste tradição peleguista de sindicatos e à de partidos que diziam defender os trabalhadores sem, de fato, fazê-lo. Recebeu, de início, o apoio (hoje, em franca debandada) de intelectuais respeitáveis e de setores de igreja católica através das comunidades eclesiais de base em que a visão de mundo da teologia de libertação teve papel de relevo. A igreja católica demorou a se dar conta de que a química da luta de classes (Marx) e do amor ao próximo (Cristo) era como água e óleo, elementos que não se misturam. É simplista ver a reação da igreja para pôr a casa em ordem como uma posição conservadora. Estavam em jogo princípios fundamentais do cristianismo que poderiam desfigurá-lo como bastião do Amor de Deus pela Humanidade. De mais a mais, houve uma dupla falência: a operacional da doutrina marxista na economia, com o retorno da União Soviética e da China às práticas de mercado, e na esfera política, em que a ditadura do proletariado se revelou uma terrível ditadura. O anti-humanismo teórico de Marx, de que nos fala o filósofo francês Louis Althusser, tinha, sem dúvida, um lado prático trágico e desumano... 

 

Aqui chegamos ao ponto nevrálgico da tradição de boa parte da esquerda mundial, excetuando-se casos como o da Suécia e de outros poucos países ocidentais que, curiosamente, são monarquias parlamentares. Ou seja, a incapacidade administrativa para fazer a economia funcionar a contento. Os economistas Hayek e von Mises estavam certos quanto à impossibilidade de um sistema centralmente planificado substituir com sucesso a mecânica do mercado na coordenação dos múltiplos interesses de consumidores e produto-res.

 

Infelizmente, em especial na tradição latino-americana, a questão da gestão eficiente foi encarada como mero subterfúgio para a exploração do trabalhador pelo patrão capitalista. Pior: os próprios trabalhadores e seus líderes, levando em conta as funções que normalmente exerciam, tinham escassa experiência administrativa. E, pelo que se percebe hoje no desgoverno Dilma e nos casos falimentares de países como Venezuela, Cuba e Bolívia, essa questão de saber gerir bem uma empresa ou um país não era objeto de preocupação séria de quem dava e de quem recebia as cartas. Não surpreende, pois, que tenham negligenciado a formação de quadros capazes de boa gestão, permitindo que outros interesses e políticos de quinta categoria comandassem o triste espetáculo. Bom ter em mente, parafraseando Churchill, que o capitalismo é o pior dos sistemas econômicos, com exceção de todos os demais.    

 

A grande lição é que essa questão da boa gestão precisa ser enfrentada não só pelo PT como pelos demais partidos. Para tanto, é imprescindível a reforma político-partidária em profundidade, como vem defendendo Aécio Neves, candidato à presidência pelo PSDB. A alternância entre esquerda e direita, ou entre liberais e conservadores, como era posta em prática por Pedro II, é fundamental para consolidar o processo democrático. Partidos políticos têm obrigação de preparar seus quadros para serem capazes de realizar uma gestão de qualidade comprometida com o interesse público, sob pena de ser o que são hoje: entidades representativas desligadas (e desprezadas) por seus representados, porque estes sabem que o compromisso deles não é com o bem comum, mas com o próprio bolso. Uma coisa é certa: a continuar vigente nossa atual legislação político-partidária-eleitoral, só vamos piorar. Lideranças responsáveis não esperam pela explosão das ruas, como já ocorreu. Agem!

 

Empresário e economista                                                                               

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