Petrópolis, 11 de Dezembro de 2019.
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  Moradores de Nogueira temem que aterro provoque mais inundações

Data: 31/10/2013

Moradores de Nogueira estão promovendo um abaixo-assinado contra um aterro que está sendo realizado em um terreno na Avenida Leopoldina, onde está prevista a construção de um condomínio de alto luxo. Segundo eles, a construtora já colocou mais de 22 mil metros quadrados de terra no local, o que aumentou o nível do terreno em cerca de 3 metros. A área equivale a, aproximadamente, seis campos de futebol, e deve dar origem a 216 apartamentos. A preocupação dos moradores é porque o local é alvo constante de enchentes, já que fica próximo ao rio. Além disso, eles temem que a água fique represada e acabe atingindo os 800 moradores da Vila Epitácio, que fica em frente ao terreno. Em contrapartida, os empresários alegam que a obra tem as licenças exigidas por lei e que não oferece risco à população. 

O presidente da União Distrital de Associações de Moradores de Petrópolis (Udam), Sérgio Mattos, afirmou que o receio é que os moradores sofram ainda mais as consequências das cheias no local. “Sabemos que a obra está legalizada, mas a consideramos imoral e por isso contratamos um advogado e um técnico que vai fazer um laudo sobre a situação do terreno e os riscos que o aterro pode trazer para a população”, disse. O abaixo-assinado on-line criado por ele no dia 29 tinha, até ontem, mais de 40 assinaturas. “O objetivo é recolher um grande número de assinaturas e encaminhar para a prefeitura, para que ela tome alguma atitude”, destacou ele, ressaltando que não está contra o empreendimento, mas sim contra o aterro. 

Acauã de Sabóia Ribeiro é morador de Nogueira e engenheiro florestal. Ele acredita que a construção vai prejudicar muito os moradores da região. “Essa é uma área muito grande, que não é propícia para esta atividade, pois está localizada na margem do Rio Piabanha. A água que escoava e ocupava o terreno vai acabar atingindo as casas. É uma obra muito impactante”, afirmou ele, declarando ainda que jamais compraria um apartamento no local. “Tanto lugar para construir e escolheram logo o leito do rio”, desabafou. 

Já um comerciante que mora próximo ao terreno há 38 anos e preferiu não se identificar contou que a água sempre entra na sua casa, mas que nunca perdeu nada com as enchentes. “Agora já não sei como vai ser, estou com medo das próximas chuvas”, lamentou. Ele revelou que a obra teve início há seis meses, quando as árvores foram cortadas. “Tinha mais de 100 árvores no local, inclusive centenárias. Primeiro desmataram e depois começaram o aterro. Mais de 200 caminhões de terra são despejados por dia na área”, disse.  José Geraldo Machado, de 58 anos, é representante do Grupo Nogueira e morador da região e está assustado com o aterro. “Me preocupo porque essa construção pode prejudicar os moradores, que são meus amigos e, acima de tudo, seres humanos”, comentou. 

Um dos incorporadores responsáveis pela empresa, Emilio Habibe, se defendeu dizendo que a obra está totalmente legalizada. “Ela tem aprovação dos órgãos municipais, estaduais e federais. Jamais começaríamos uma construção deste porte sem as autorizações necessárias”, declarou. Ele afirmou que a empresa fará o reflorestamento na área com a plantação de diversas espécies, inclusive Pau-brasil. “Já fizemos três reuniões com a associação de moradores. A última aconteceu na Câmara Municipal de Petrópolis, onde mostramos que a construção não será prejudicial. O problema das enchentes é uma questão geral da cidade e não da área em questão. O que temos que fazer é buscar uma solução para toda a extensão do rio, que está assoreado”, disse ele, salientando que já foi feito um pedido ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e à Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis para que seja feita uma limpeza do rio. “Propomos à prefeitura uma Parceria Público Privada, para minimizar o problema”. Ele ressaltou, também, que a instalação do condomínio na região vai levar benefícios aos moradores, promovendo o desenvolvimento da área.

Consultada sobre a liberação da faixa marginal de proteção do Rio Piabanha, a Superintendência Regional do Inea afirmou que já esteve no local e que a obra está regular, respeitando as exigências do órgão, conforme prevê a legislação ambiental. A Coordenadoria de Fiscalização também informou que a obra está licenciada.




 

 

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