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  Indústria e comércio traçam estratégias para a economia

Data: 14/08/2016

 

Indústria e comércio traçam estratégias para a economia

Firjan e Fecomércio RJ apresentam propostas para melhorar dois setores fundamentais: a indústria e o comércio

Rômulo Barroso - romulobarroso@diariodepetropolis.com.br

 

Esta semana, dois setores fundamentais para a economia de qualquer local apresentaram o que os empresários que atuam na indústria e no comércio de Petrópolis acreditam que pode ajudar no desenvolvimento da cidade. Tanto um como o outro chamam suas propostas de “mapas” – e não é à toa: a intenção é dar indicação ao (futuro) governo municipal e a quem trata das coisas públicas quais são os caminhos que devem ser seguidos para o desenvolvimento da cidade nesses ramos produtivos.

No Mapa do Desenvolvimento da Firjan, os empresários do setor em Petrópolis foram consultados no início do ano sobre quais são as necessidades para que a indústria local avance. Além das respostas tradicionais, comuns a todos os lugares do país – redução da carga fiscal, melhorias na legislação trabalhista e na logística –, dois pontos se destacam: na opinião deles, os dois calcanhares de aquiles do município são a mobilidade urbana e as redes de conexão com a internet.

Já o Mapa Estratégico do Comércio, feito pelo Fecomércio RJ abriu um grupo de trabalho durante os dois dias de palestras e debates sobre como o cenário político e econômico do país e do estado podem atingir diretamente a cadeia produtiva da cidade. Esse encontro durou dois dias e foi realizado no Hotel Quitandinha. Desse grupo de trabalho, as principais propostas, foram: implantar cursos para treinamento e preparação da sucessão em empresas familiares, incentivar a compra de fornecedores locais como forma de diminuir o custo de logística das empresas e criar linha de financiamento para investimentos em edifícios tombados.

A intenção de ambas as entidades é entregar essas propostas aos candidatos à prefeitura.

– A permanência das empresas instaladas aqui e a consequente chegada de novos empreendimentos estão diretamente ligadas às mudanças que o Mapa do Desenvolvimento propõe. A melhoria do ambiente de negócios local e o aumento da qualidade de vida da população vão estimular investimentos aqui – entende a presidente regional da Firjan em Petrópolis, Waltraud Keuper.

– O evento deu aos participantes e a toda a sociedade a oportunidade de contribuir para o incremento da atividade econômica do município, propondo soluções para o setor de Comércio, Serviços e Turismo e dialogando com o poder público para a criação de políticas que beneficiem a cidade e toda a região Serrana – acredita o presidente do Sicomércio e diretor da Fecomércio RJ, Marcelo Fiorini.

 

Cenário econômico municipal

Antes de qualquer proposta, é preciso ter em mente qual o patamar em que se encontra o município. A população é a 16ª maior do estado, com cerca de 298 mil habitantes, segundo o IBGE. Desses, 74 mil são assalariados, com rendimento médio mensal de 2,4 salários mínimos – ainda outros 17 mil que atuam sem registro profissional, mas conseguem gerar renda. De acordo com o Ministério de Trabalho, maior parte deles estão trabalhando no comércio, com 17,5 mil empregos nessa área.

Já a indústria tem representantes de peso como a Detsply, Carl Zeiss e, principalmente GE Celma e destaques para os ramos de vestuário, alimentos, têxtil, construção, mobiliário e produtos diversos. Elas são algumas que ajudam o PIB da cidade a alcançar R$ 9,5 bilhões em 2013 (a participação da indústria é de 26% desse total).

Outros dados importantes são o Índice de Desenvolvimento Humano de Petrópolis, que chegou a 0,745 em 2010, o que é alto (a escala vai de 0 a 1). A Firjan ainda calculou o Índice de Desenvolvimento Municipal e colocou Petrópolis no conceito moderado; e ainda deu conceito B no Índice de Gestão Fiscal, o que índice boa gestão. Por fim, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que Petrópolis está no nível quatro (são cinco degraus) no Índice de Competitividade do Turismo Nacional de 2014, com 70,4 pontos.

 

Mapa do Desenvolvimento

A conclusão das obras da pista de subida da Serra de Petrópolis, a criação de uma nova faixa de circulação em alguns trechos da Estrada União e Indústria e a ligação Bingen-Quitandinha são consideradas “importantes alternativas para a melhoria da mobilidade dentro da cidade” para a Firjan. Outro pleito dos empresários do ramo é a duplicação da Rua General Rondon, no Quitandinha. E quando Waltraud Keuper aponta para esse caminho, não fala apenas no sentido de melhorar a escoação de produtos, mas também de qualidade de vida do trabalhador das indústrias.

– Precisamos melhorar a mobilidade urbana porque os colaboradores das empresas hoje gastam muito tempo para chegar ao trabalho e chegar em casa. Ele já chega cansado ao trabalho e mais cansado ainda em casa – analisa a presidente regional da Firjan. Ela ainda destacou a questão da banda larga. Hoje, uma conexão adequada pode ser a diferença entre o sucesso de um negócio ou “sequer emitir uma nota fiscal”.

Ao todo, 52 empresários chegaram a 38 propostas para o desenvolvimento da cidade nos próximos 10 anos, sendo que essas ideias estão divididas em sete pontos. Vários são comuns a outros locais, como educação, distribuição de energia, saneamento etc., mas uma das questões foram desenvolvidas por causa da realidade do nosso município. A Firjan avançou, ainda que de forma um pouco mais tímida, sobre formas de prevenção a eventos climáticos.

 A conclusão da entidade é que são necessárias medidas para “garantir a segurança da população e das empresas instaladas no município”. Por isso, pede um sistema para monitoramento e reação a desastres naturais e um mapeamento topográfico, hidrológico, geológico e de risco atualizado periodicamente. E promete que articular juntos aos governos municipais e estaduais para que isso saia do papel.

– As ações contidas no Mapa do Desenvolvimento pretendem contribuir para a retomada do desenvolvimento econômico e social que beneficie indústrias e sociedade em geral com aumento da oferta de empregos, da atividade produtiva e da qualidade de vida em nossa região – comenta Keuper.

 

Mapa do Comércio

Assim como a Firjan, o Fecomércio RJ está rodando o estado para ouvir os anseios do setor. Petrópolis foi a 11ª cidade onde houve encontro de formadores de opinião e especialistas para entender a atual situação política e econômica do país e como essa realidade atinge o município. Por aqui, passaram nomes como como Merval Pereira, George Vidor, Flávio Fachel, Giuliana Morrone, Flávia Oliveira, Pedro Doria, Sérgio Abranches, Cristiana Lobo, Andrea Ramal, Sônia Araripe, Guilherme Velho, Antônio Góis, Samy Dana, Sidney Rezende, Kennedy Alencar, Maria Prata, Washington Fajardo, Rodrigo Pimentel, Ronaldo Lemos, Marcio Couto e Marcelo Neri.

Ao mesmo tempo em que as palestras e debates aconteceram, um grupo de trabalho formulou 109 propostas melhorar o setor de comércio, serviços e turismo local. Elas também serão levadas ao conhecimento público. Em linhas gerais, uma proximidade maior entre os atores econômicos da cidade e uma preocupação em relação a edifícios tombados são os principais pontos abordados.

O Mapa Estratégico do Comércio é formulado em parceria com a FGV. Até agora, o Fecomércio RJ já tem mais 1,2 mil propostas em todo o estado que avançam sobre temas ligados à educação, segurança, infraestrutura e ambiente empresarial. Além de identificar vocações e oportunidades, o documento é um instrumento estratégico para a atuação do Senac RJ e do Sesc RJ, braços de educação profissional e sociocultural do Sistema Fecomércio, respectivamente.

 

– O Mapa Estratégico do Comércio já passou por vários municípios do estado, sempre com muito êxito. Agora, foi a vez de Petrópolis ter a oportunidade de debater e trocar informações com grandes formadores de opinião – afirmou Marcelo Fiorini.




 

 

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